História do Café no Brasil Imperial

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Artigo
Fazenda do Pinheiro: patrimônio histórico em ruínas.
Comunidade e entidades se organizam e preparam 
o movimento 'Amigos do Casarão' para promover preservação

Pinheiral

O casarão imponente que serviu de sede da Fazenda do Pinheiro, localizado em Pinheiral, que no século XVIII pertenceu a um dos maiores produtores de café do Brasil, o comendador José Joaquim de Souza Breves, hoje reina absoluto, porém, não demonstra mais a riqueza dos barões do café. No local, junto às plantas e árvores existem apenas ruínas de um belo casarão, dos galpões da vacaria e cavalaria. Os enormes salões incendiados, que no passado receberam a visita de poderosos políticos, reis e figuras ilustres da época, tem como inquilina a vegetação nascendo entre as tábuas. O madeiramento de pinho de riga, tetos em estuque pintados, portais ricamente decorados hoje servem de abrigo a animais. 
Para tentar salvar esse patrimônio, o diretor do Colégio Agrícola Nilo Peçanha, José de Arimathéa, está organizando o movimento 'Amigos do Casarão' em parceria com a Aciap (Associação Comercial, Industrial e Agropastoril) de Pinheiral e de outras entidades locais. De acordo com o diretor, o objetivo é sensibilizar a comunidade em relação à conservação das ruínas do casarão, já que nenhum órgão de preservação responsável pelos patrimônios artísticos e culturais estadual e federal o procurou. 
- Não queremos saber quem são os culpados. Queremos preservar a história do município, começando pelas ruínas, já que elas correm o risco de desabar - esclareceu ele, dizendo que a meta é reconstruir em longo prazo todo o casarão.

Natal no casarão

O movimento fará no fim de semana que antecede o Natal, festejos natalinos, com atividades culturais, coral e outros. "Vamos realizar o Natal no Casarão. Com isso visamos despertar o interesse na preservação do lugar, atraindo as pessoas e mostrando a importância da história", afirmou Arimathéa. "Fizemos contato com a UFF para que o curso de Arquitetura dê suporte técnico na conservação das ruínas e também desenvolva o projeto de recuperação da área. Após isso, buscamos investimentos e recursos, porque a reconstrução é algo caro, entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão", falou o diretor, comentando que o pontapé foi dado.
APOIO - O Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural e Artístico) está formatando um Programa para Sede de Fazendas e Casarões do Vale do Paraíba, para realizar a partir de 2005 a proteção do patrimônio, através do tombamento e inventário. De acordo com o presidente do Inepac, Marcos Monteiro, a proteção facilitará a obtenção de restauro e manutenção junto ao Estado, através da Lei do ICMS.
- Queremos fazer o projeto com todas as fazendas do Vale do Paraíba. São centenas de sedes e casarões ameaçados e precisamos proteger todo esse conjunto, já que a história se contextualiza nesse ciclo do café. Estamos reunidos para definir qual instrumento será mais adequado - falou Marcos, ressaltando que a iniciativa do diretor do Colégio Agrícola é louvável. "Não adianta os órgãos do Estado ou da União lutarem, senão houver apoio da comunidade. Precisamos lutar juntos", disse o presidente.

Local pertenceu ao Ministério da Agricultura

A fazenda do Pinheiro foi uma das mais notáveis propriedades do Império, conhecida em todo o Brasil pela riqueza da casa e a extensão enorme dos cafezais e pelo grande número de escravos. No início do século passado, o casarão funcionou como posto de recolhimento do Ministério da Agricultura, como Posto Zootécnico Federal. No local funcionava o posto de recolhimento dos animais importados da Europa pelo ministério. 
Segundo o diretor do Colégio Agrícola Nilo Peçanha, José de Arimathéa, em 1909, o palacete dos Breves era de propriedade do Ministério de Agricultura, que iniciou suas atividades no município para desenvolver a agropecuária, principalmente a pecuária no Brasil. 
- O governo importava reprodutores da Europa e a fazenda dos Pinheiros era o local em que esses animais ficavam de quarentena e passavam pela climatização, para acostumar com o clima brasileiro e fazer o melhoramento genético do país - disse Arimathéa, afirmando que com o tempo, na década de 70, o ministério foi diminuindo seus trabalhos na cidade e depois os transferiu definitivamente para o Rio de Janeiro. 
"Isso acabou deixando o casarão abandonado. Em 1985, houve um incêndio que destruiu a estrutura da casa. No ano seguinte houve outro e comprometeu completamente o patrimônio", disse o diretor, comentando que a recuperação do acervo é muito cara, por isso acredita que ninguém ainda o realizou. 

Grande parte das terras está ocupada por posseiros

De acordo com Arimathéa, as terras da fazenda eram muito mais extensas, uma grande parte foi tomada pelos posseiros e outra virou cenário urbano. "As terras da fazenda pegavam até na Rodovia Presidente Dutra. Nos anos 80, os posseiros invadiram a área. Acredito que a origem do movimento dos sem terra começou aqui. Essa fazenda foi uma das primeiras ocupações do Estado do Rio. O colégio possui hoje somente 380 hectares", comentou o diretor, lembrando que a maior parte das terras é área urbanizada e outros pedaços são de área de posse. 
A casa-grande, lugar que atualmente abriga a sede do Colégio Agrícola Nilo Peçanha, foi deixada em testamento pelo comendador, que não teve filhos, para que ali se estabelecesse uma entidade de ensino. Conforme Arimathéa, o Colégio pertencia ao Ministério da Agricultura e 1968 passou a ser de propriedade da Universidade Federal Fluminense (UFF). 
- A preocupação com o patrimônio é antiga. A própria universidade pesquisou o histórico do casarão, registrado em documento e enviou para a Fundação Roberto Marinho. A resposta foi que esse acervo não era prioridade. A cultura no Brasil não recebe muito apoio hoje, imagine há vinte anos atrás - disse o diretor, ressaltando que manter os prédios da escola que possuem 60, 80 e 90 anos de existência é difícil. 
"Manter o casarão que tem 200 anos era muito complicado e caro. Ninguém quis investir", falou ele. O Colégio Nilo Peçanha atua com três cursos, técnico em agropecuária, em meio ambiente e ensino médio, possuindo 350 alunos no geral.

Passado, a história preservada através de memórias

A família Souza Breves foi uma das maiores produtoras de café no período de 1820 a 1890. O domínio dos herdeiros pegava terras de Minas Gerais até o mar fluminense. O comendador Joaquim José de Souza Breves foi a figura mais polêmica de todos na família. Dono de um grande poderio feudal chegou a possuir em conjunto com seus familiares e parentes cerca de 10 mil escravos juntamente com seus irmãos e aparentados. O comendador possuía 90 propriedades, desde a região de Marambaia até Minas Gerais, além de ter navios, gozar da amizade de Pedro I e ter participado do Grito do Ipiranga. Foi ele quem construiu grandes patrimônios, como por exemplo, a Igreja da Fazenda de São Joaquim da Grama.


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