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Rio de Janeiro, Maio 1996.
POR QUE ESCREVER A HISTÓRIA DE RIO CLARO?
A vida de campo e da cidade é móvel e presente: move-se ao longo do tempo, através da história de uma família e um povo; move-se em sentimentos e idéias, através de uma re-de de relacionamentos e decisões .
Quem passa inadvertidamente por Rio Claro não imagina os séculos de história que repousam em suas ruas, praças, alguns casarios coloniais e na memória de seus habitantes. Andar pela cidade, viajar nos caminhos do interior é um exercício de in-dagação ao passado. A mistura de construções modernas e aquelas ainda de estilo co-lonial aguça a nossa curiosidade: que trajetória carregaria esse espaço? Que pessoas teriam passado por aqui e estabelecido casas e fazendas? Que sonhos teriam sido
ali-mentados? Que tragédias espreitariam as ruas, na tranqüilidade dos sítios, na aparen-te paz dos rios e lagos?
Lídice, Getulândia, Passa-Três. De onde teriam saído estes no-mes? Como se formaram? Alguém conhece o nome da primeira cidade submersa no Brasil? Onde estará São João Marcos? São questões que não se encontram nas estatíti-cas de enciclopédias e anuários, mas nos caminhos da memória, nos velhos papéis de arquivos, nos registros a bico de pena e nas lembranças pessoais.
Como tantas cidades do interior do Brasil, Rio Claro está entre aquelas que, ao longo deste século, tiveram suas populações reduzidas devido a um padrão econômico de desenvolvimento desigual entre as regiões. A história foi bem outra no século
pas-sado. Nos arredores da cidade e nas fazendas a agitação era intensa devido ao cultivo do "ouro negro". No atual município de Rio Claro estavam algumas das maiores for-tunas do período cafeeiro. Portanto, diante da economia do estado, sua posição era estratégica. Por suas trilhas e caminhos de terra a vida borbulhava no setecentos
(sé-culo XVII) com o transporte do ouro das Gerais para os portos do Rio de Janeiro. Tem-po de esperança e cobiça. Tempo de formação de propriedades e de riquezas que na maioria das vezes não chegariam à terceira geração. Da mesma forma que as riquezas familiares se formavam também se perdiam nas oscilações econômicas, atravessando as décadas. As fortunas dos grandes comendadores de café se perderam pelo tempo. Seus nomes, no entanto, repousam nas fotos de família e nas suas lembranças. Tempo de glória, tempo do ouro, tempo de lembrar.
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