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Retrato à óleo - Autor: Julien Chevrell
- Coleção Museu Imperial de Petrópolis - Rio de Janeiro.

Retrato à óleo, coleção João Hermes de
Araujo - Rio de Janeiro.
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São
João Marcos (1748 - 1831)
Primeiro
filho do casal, José de Souza Breves, nasceu em 1748 nas Ilhas Açores,
emigrando com seus pais para o Brasil. Afazendou-se no distrito de
Piraí, na Fazenda Mangalarga de propriedade de seus genitores, tendo
numerosa prole. Ingressou na política da região, tornando-se influente,
pelas suas avultadas posses e grande atividade, atingindo o seu
prestígio toda vizinhança, até Rezende.
Em 1831, perante o
Capitão-mór da Vila de São João Marcos, prestava compromisso e tomava
posse do cargo de Sargento-mór das Ordenanças. Desde então passou a
gozar dos privilégios, liberdades, franquias e isenções que lhe conferia
o cargo. Tornou-se então o maior senhor de terras e escravos da região.
Foi nomeado depois
Capitão-mór, por proposta do Comandante Geral das Milícias da região de
Campo Alegre - Joaquim Xavier Curado, famoso prócer da nossa
independência, futuro Conde de São João de Duas Barras, e devastador dos
índios puris da região, que, informando ao Conde de Rezende, dizia ter
José de Souza Breves, "muita capacidade, lisa conduta, estando muito
bem estabelecido em fazenda própria, motivo pelo qual sugeria a sua
nomeação para o cargo".
Em 1822, José de Souza
Breves tomava posse do cargo de Juiz Almotacel de São João Marcos, e a
28 de fevereiro de 1826, empossava-se solenemente perante à Câmara
Municipal reunida, do cargo de Vereador, no posto já de Capitão-mór da
Vila.
Esse foi o chefe dos
"Breves Graúdos". Os descendentes de seus irmãos eram chamados de
"Breves Miúdos", assim distinguidos pelo povo. É uma nota pitoresca
relativa à preponderância do ramo primogênito dos Breves, sobre os
demais membros da família. Os "Breves Graúdos", destacaram-se pela sua
notável fortuna em fazendas de largas sesmarias de terras concedidas
pelo governo imperial, e o prestígio político muito grande perante ao
Imperador. Daí a distinção entre "graúdos" e "miúdos" dada pelo povo
marcense.
O Capitão-mór era casado
com Dona Maria Pimenta Lobo Frazão de Almeida, filha de Antônio Lobo
Frazão e de Dona Cecília de Almeida, todos das ilhas do Arquipélago dos
Açores.
Desse casal nasceram: o
Comendador Joaquim José de Souza Breves - "rei do café"; o
Comendador José Joaquim de Souza Breves; Cypriano de Souza Breves; João
dos Santos Breves; Dona Ana Pimenta de Almeida Frazão de Souza Breves;
Dona Cecília Pimenta de Almeida Frazão de Souza Breves - Baroneza do
Piraí.
Dizem que o Capitão-mór
costuma bater de madrugada nas senzalas da Fazenda Mangalarga e dizer:
- Acorda meu filho:
está na hora!"
E acompanhava os escravos
até o eito. Talvez por isso, vê-se o seu retrato no cafezal, de cajado,
lenço na cabeça debaixo do chapelão de palha, ao lado de um magote de
negros capinando as meias-laranjas da fazenda.
O biógrafo da família, Dr.
Armando de Morais Breves, conta-nos em seu livro "O Reino da Marambaia":
- "O melhor retrato do
Capitão-mór, fôra tirado quando já era defunto. Depois de embalsamado,
vestiram-lhe a farda de Dragão Imperial, e sentado numa cadeira de
braços, esperou por dois dias o pintor francês que mandaram buscar
O Dr. Armando de Morais
Breves, copiou a notícia do "O Jornal", referente à morte desse Breves:
" A perda deste cidadão só
bem pôde avaliar que perto dele vivia; seus serviços à causa pública
durante o largo tempo de sua existência são inumeráveis. As obras pias,
as urgências do Estado, conheceram sempre esse cidadão como um de seus
primeiros e mais prontos concorrentes. O pobre, o desvalido e o órfão,
acharam sempre neste honrado cidadão todo o lenitivo, toda a prestação
que da sua piedade reclamavam. Foi tal sua modéstia e seu desinteresse
pelas coisas deste mundo, que nunca exigiu graça ou recompensa dos seus
serviços, e quando algum amigo lhe lembrava que requeresse um título ou
uma condecoração a tantos serviços prestados ao País, respondia ele que,
todo cidadão era obrigado a servir sua Pátria e que ele pela sua parte
só de Deus esperava recompensa."
Deste Breves poderoso, só
resta o que escreveram num pedaço de mármore no cemitério de Arrozal,
distrito de Piraí:
" Aqui jazem os restos
mortais do Capitão-mór José de Souza Breves e de sua mulher Dona Maria
Pimenta de Almeida, aquele nascido em 2 de fevereiro de 1748 e falecido
em 8 de janeiro de 1845 com 97 anos de idade, e esta, morta em 24 de
agosto de 1843, na idade de 75 anos. Primeiros povoadores destes
lugares, foram lavradores honrados e um complexo de todas as virtudes
cívicas e privadas, deixando após si extensa descendência." |