
Igreja
Matriz de São João Marcos (1927)
Demolida
para dar passagem às águas do "progresso". A bela matriz foi dinamitada e
a água do represamento da Usina nunca chegou próximo de seus alicerces.
O sítio histórico de
São João Marcos é tombado pelo patrimônio histórico estadual - INEPAC.
Situado na serra do Piloto em Rio Claro, RJ.
Imagens de São João Marcos
O relatório de Oswaldo
Cruz
Foi o
que aconteceu com a comunidade de São João Marcos, destruída de 1941 a
1945 pela empresa The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power, Co. Ltd.,
para dar lugar a um projeto hidrelétrico. Os habitantes da cidade foram
forçados a deixar suas casas e mudarem-se para outros locais, perdendo
suas casas e afastando-se de parentes e amigos. A saída da cidade foi,
para grande parte das pessoas, a negativa de seus sonhos plantados naquele
espaço social. Devido a esses fatores esse processo aconteceu, para a
comunidade de São João Marcos, na contramão da utopia. A idealização da
vida deixava de ser o futuro e se transferia para o passado. (Dilma
Andrade)
Com
a queda da mineração em Minas Gerais, já
no final do século XVIII, houve um
crescente incentivo à produção de
gêneros agrícolas para exportação, tais
como o açúcar (principalmente), arroz,
anil, fibras vegetais e também a criação
do bicho da seda. Com a transferência da
corte portuguesa para o Brasil, em 1808,
essa tendência acentuou-se, devido às
medidas liberalizantes para o comércio
interno e externo. A necessidade de
abastecimento da corte também forçou o
aumento da produção de gêneros
alimentícios. Em Rio Claro e São João
Marcos há o predomínio desses cultivos.
Segundo José Pizarro e Araújo, havia nas
terras marcossensses por volta de 1808:
6 engenhos de açúcar e 4 de aguardente;
os colonos cultivavam cana-de-açúcar,
mandioca, milho, arroz, legumes e café.
O açúcar era levado em sacos ao porto de
Angra dos Reis, sendo depois encaixotado
e transportado ao porto da Capital.
Havia também a criação de porcos; parte
da carne ficava em conservas para
consumo doméstico e a outra parte era
comercializada. Havia em toda a extensão
de São João Marcos 4.600 habitantes em
550 fogos (residências). (Dilma Andrade)
O fim de São João Marcos
As
demolições começaram numa Quinta-Feira
Santa. A população protestou, saindo
pelas ruas com cartazes que diziam:
"somos 4.600 brasileiros e não queremos
desaparecer". De nada adiantou, as
turmas de operários com marretas se
sucederam, os prédios próximos da
represa foram demolidos por barcos
rebocadores com cabos de aço e o
restante dos quarteirões foi reduzido a
pedregulhos pela dinamite.
O caso mais traumático foi o da Igreja
Matriz. Sua construção datava de 1796,
com arquitetura maneirista, típica dos
jesuítas, e barroca; seu interior era
todo decorado em ouro. Os operários se
recusaram a mexer com o prédio sagrado e
a construção era tão sólida que os
recursos "normais" de demolição não
seriam suficientes.
A Light, então, contratou um
especialista, sr. Dudu, de Rio Claro,
para dinamitá-la. Consta que, por
coincidência ou maldição, o dinamitador
logo depois do serviço ficou "corcunda"
e perdeu tudo, terminando seus dias como
jardineiro no colégio de freiras de
Valença, RJ.
Como a questão da derrubada da Matriz
despertou o clamor público e a
indignação dos católicos, o governo
baixou um decreto (3 de junho de 1940)
que obrigava a Light a reconstruir o
templo em local próximo e a salvo das
águas. Acalmados os ânimos, três anos
mais tarde, a empresa se veria livre da
obrigação por novo decreto (nº 5.739)
que substituiu a reconstrução da Matriz
por uma simples indenização de 600
contos de réis ao Estado. |
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Planta
de São João Marcos e arredores -
Departamento de Patrimônio da Light,
1913. (http://www.serqueira.com.br)
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Apenas o cemitério foi respeitado e
parcialmente transferido para o alto de
um morro. São João Marcos finalmente
estava extinta, em ruínas. Era hora de
levá-la para o fundo das águas.
(http://www.serqueira.com.br) |