....................Capela de São Joaquim da Grama - Rio Claro/RJ ...............................

Capela de São Joaquim da Grama - Rio Claro/RJ

 

1 Introdução

 

As pesquisas realizadas pelo Grupo Casarões na região de Rio Claro/RJ, mais precisamente na Fazenda da Grama, se intensificaram em torno da Capela de São Joaquim da Grama. Em um primeiro momento levantamos a situação da capela que faz parte do complexo da fazenda e do patrimônio histórico de Rio Claro/RJ. Posteriormente, Idealizamos o projeto de consolidação que está em fase de execução junto à Prefeitura de Rio Claro/RJ. Por fim, a Prefeitura, confinante aos órgãos de fomento, busca verba para a execução da restauração. Para tanto se espera que a elaboração da consolidação e da maquete eletrônica sirvam de subsídios para a captação de recurso.

 

.2 Localização

 

A Capela de São Joaquim da Grama localiza-se no município de Rio Claro (Figura 1), no Estado do Rio de Janeiro, na região do médio Paraíba e na microrregião do Vale do Paraíba Fluminense (Figura 2). A capela está localizada a 10 km do centro de Rio Claro-RJ, na encosta de um vale, vertente do Rio Piraí, sobre uma elevação de terreno, antes de se chegar na Fazenda de São Joaquim da Grama, em Passa Três, 4º Distrito de Rio Claro/RJ.

 

Figura 1 – Localização do município de Rio Claro-RJ

Fonte: Governo do Estado do Rio de Janeiro e IBGE – modificado

 

 

Figura 2 – Localização da Fazenda de São Joaquim da Grama

Fonte: Governo do Estado do Rio de Janeiro

 

3 Histórico

 

A Capela de São Joaquim da Grama fazia parte da sede da Fazenda da Grama, onde em épocas passadas funcionou o quartel general de Joaquim José de Souza Breves, o “rei do café” (Figura 3). A fazenda era a sede da administração de suas outras fazendas, sendo situada à margem esquerda do Rio Araras, por todo o vale de Ribeirão das Lajes até São João Marcos, hoje 3º Distrito de Rio Claro/RJ. O casario da sede, após a queda da economia cafeeira, tornou-se hotel, onde funcionou um dos cassinos mais famosos do Brasil.

Figura 3 - Comendador Joaquim José de Souza Breves

Fonte: "http://www.brasil.terravista.pt/magoito/2038" - Último acesso em 15-03-2004

Veja em www.brevescafe.oi.com.br  do mesmo autor.

 

A capela foi construída em 1809 (Foto 1), aproximadamente a 1 km da sede da fazenda, pelo comendador Joaquim José de Souza Breves, com a finalidade de receber seus restos mortais. O comendador foi a maior influência política do Sul da Província do Rio de Janeiro, nas épocas do primeiro e do segundo reinado, tendo morrido em 30 de setembro de 1889. A Capela de São Joaquim da Grama pertence ao século XIX, predominando, na arquitetura do Rio de Janeiro da segunda década até o terceiro quartel do século XIX, o estilo imperial. Refletiu, nessa capela, uma tendência comum a todo o ocidente em fins do século XVIII e princípio do século XIX, de retorno às formas de antiguidade clássica greco-romana, que surgiu na mesma época que D. João e a família Real, acompanhados de sua comitiva e serviçais, chegou ao Brasil. A capela é um exemplo de arquitetura religiosa neoclássica, onde destaca-se a presença do frontão triangular na fachada e a simetria em suas torres, dada a repetição de um e outro lado do eixo de composição. Há a presença de afrescos e de adornos dourados (Foto 2), um pouco de remanescente do estilo barroco (Foto 3). Seu frontispício era constituído de uma sacada sobre o pórtico, ambos em forma de arcos.

Foto 1 – Vista da Capela de São Joaquim da Grama, foto de 1911

Fonte: "http://www.brasil.terravista.pt/magoito/2038" - Último acesso em 15-03-2004.

Veja em www.brevescafe.oi.com.br  do mesmo autor.

 

Foto 2 – Detalhes do forro

Foto 3 – Detalhe da coluna

Fonte: Acervo Grupo Casarões

 

Seu conjunto arquitetônico encontra-se em estado de abandono, que resultou na degradação de todo o seu acervo artístico. Em estilo neoclássico, foi tombada pelo Estado do Rio de Janeiro, e está na mira do poder público municipal atual, que luta por sua restauração. Consta que o Comendador Breves só fez seu testamento para garantir a perpetuidade do culto, como foi colocado nesse testamento: “em intenção a minha alma, dos membros de minha família, escravos, libertos e amigos que forem depositados na dita igreja e sepultados no cemitério da mesma”.

 

4 Análise arquitetônica

 

A Capela de São Joaquim da Grama apresenta uma monumentalidade pelas proporções de seus planos verticais e pela sua implantação no alto de uma colina, numa topografia acidentada marcada por vários morros. Apresenta simetria definida pela planta em forma de cruz latina com proporções neoclássicas (Figura 4). Sua volumetria é definida por quatro corpos distintos:

*   o mais alto à frente composto pelas torres, átrio e coro (Figura 5);

*   nave central;

*   capela-mor, ligeiramente mais baixo;

*   sacristias laterais (Figura 6), mais baixas e encimadas por balaustradas externas.

Figura 4 – Planta em forma de cruz

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

Figura 5 – Detalhe da frente da capela

Figura 6 – Sacristias laterais mais baixas

Fonte: Prefeitura Municipal de Rio Claro-RJ

 

5 Situação atual

        

Atualmente, a Capela de São Joaquim da Grama encontra-se em avançado estado crescente de deterioração física e social mas ainda serve como ponto de encontro entre os moradores e os visitantes da fazenda.

Após três quilômetros da entrada da Fazenda da Grama, avista-se a capela no alto do morro (Foto 4).

Foto 4  – Vista da Capela de São Joaquim.

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

Além do livre acesso à capela, encontra-se uma grande presença da vegetação, principalmente na área externa, crescendo de uma forma descontrolada (Foto 5). A presença de microflora (algas e fungos) ajuda no crescimento das gramíneas e dos arbustos (Foto 6), podendo causar desagregação nos materiais. Em muitos locais há presença de vegetação de grande porte, que pode causar uma ação desastrosa, arruinando as estruturas da capela.

 

Foto 5 – Vegetação crescendo de forma descontrolada

Foto 6 – Crescimento de gramíneas e arbustos

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

A Capela de São Joaquim da Grama é tombada pelo INEPAC, um bem adquirido desde 1991, juntamente com a ruína de São João Marcos e a Ponte Bela, por iniciativa da Prefeitura Municipal de Rio Claro/RJ através da Secretária de Cultura, Elvira Brum, na época vice-prefeita de Rio Claro/RJ. Atualmente, esses monumentos históricos estão em processo de tombamento pelo IPHAN.

A capela é um importante patrimônio arquitetônico, histórico e cultural do Estado do Rio de Janeiro, e enfrenta uma situação bastante caótica. O local, num todo, sofre o descaso para com o seu potencial, abrangendo seu patrimônio edificado, represa e meio ambiente. A falta de controle e a precariedade da infra-estrutura local deixam o quadro ainda mais negativo. No entanto o local apresenta um grande potencial para o seu desenvolvimento. Desta forma, a situação atual inclui os seguintes problemas:

*   abandono e degradação de importante conjunto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional;

*   descaso com a história e a arquitetura locais;

*   ineficiência da atual infra-estrutura da capela;

*   descaso para com o potencial turístico e paisagístico da região;

*   falta de segurança para moradores e visitantes.

Embora a capela esteja em estado precário de conservação, ainda apresenta todas as paredes até o topo (Foto 7) e partes do telhado (Foto 8), que foi há pouco tempo refeito no altar-mor e nas sacristias. As estruturas estão com regiões bastante agredidas e danificadas, com vários tipos de patologias.

 

Foto 7 – Vista da capela com suas paredes ainda intactas

Foto 8 – Telhado do altar-mor

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

6 Fatores de degradação da capela

 

Os fatores de degradação da Capela de São Joaquim da Grama são originados pelas seguintes ações:

*   agentes do meio ambiente, principalmente ações físicas e biológicas;

*   presença de umidade nas estruturas;

*   ações mecânicas, recalques;

*   ação humana, vandalismo.

 

6.1 Agentes do meio ambiente

 

Os principais agentes ambientais atuantes na capela são:

*   físicos: principalmente através da variação de temperatura, ação da chuva, ação eólica e insolação, provocando a erosão da argamassa das alvenarias;

*   biológica: devido ao alto grau de umidade na região;

*   química: em algumas regiões foram encontradas manchas de eflorescência;

Há ainda o caso de um incêndio que ocorreu no altar-mor no ano de 2002. A destruição do altar foi total. Até o momento não encontramos registro que permita recuperar o altar.

Nas alvenarias de pedra em alguns pontos, encontra-se um avançado processo de erosão da argamassa (Foto 9), em virtude da ação da água que, em dias muito chuvosos, lava a argamassa. Em seguida, a forte insolação resseca e esfarela a mesma. Nessas erosões, a área fragilizada fica mais susceptível à ação de agentes agressivos.

 

Foto 9 – Degradação da argamassa

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

A atuação química como agente de degradação da Capela de São Joaquim da Grama é bastante evidente (Foto 10), devido às reações químicas causadas por ácidos corrosivos produzidos pelas plantas, animais e seres humanos. O filme biológico se encontra em diversas áreas (Foto 11), devido à ação da umidade, à temperatura e à presença de elementos orgânicos nos elementos da construção.

Foto 10 – Filme biológico na parte interna da capela

Foto 11 – Filme biológico na parte da torre da capela

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

A ação biológica ocorre também sob a forma de vegetação que cobre toda a área externa da capela, dificultando qualquer tipo de trabalho, medições ou vistorias no local. Com a umidade local, o crescimento de pequenos arbustos nas estruturas da capela é inevitável (Foto 12). As raízes das plantas fixadas nas estruturas, ao crescerem, arrancam partes de revestimentos e aumentam as rachaduras, facilitando a penetração e a concentração de umidade (Foto 13). A vegetação na região cresce muito rapidamente, necessitando de uma intervenção para limpeza e uma manutenção periódica para sanar este problema.

 

Foto 12 – Vegetação na parte interna da capela

Foto 13 – Vegetação na torre da capela

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

6.2 Presença da umidade

 

A umidade é um agente físico muito agressivo às construções, ajudando em grande parte à degradação do patrimônio. A sua ação dissolvente compromete a durabilidade e a função dos componentes em uma estrutura. A umidade pode ocorrer através do subsolo ou do ar.

Pelo subsolo, a ação da água tem origem relacionada com o lençol freático, que se desloca, por capilaridade, pelas fundações, e atinge a base das alvenarias. A capela está localizada em uma região bastante úmida e com altos índices pluviométricos. Essa ação da água pelo ar, principalmente a chuva, em contato com as alvenarias da capela, é um dos principais fatores de degradação externo ao corpo estrutural (Foto 14). A ação da chuva é responsável por grande parte da deterioração, seja no topo, por infiltração, ou chuvas incidentes influenciadas pelo vento, podendo penetrar nessas alvenarias, se estiverem aparentes, danificando e causando a lavagem das argamassas.

 

Foto 14 – Paredes bastantes úmidas pela ação da chuva

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

6.3 Ações mecânicas

 

Devido a outras causas já descritas, como a atuação marcante da água na área da capela, o recalque do terreno leva ao recalque das fundações e das alvenarias, causando um movimento de rotação. As causas determinantes da rotação de uma estrutura podem ser um empuxo lateral ou um cedimento do plano de assentamento dessa estrutura. Os sintomas característicos da rotação são os seguintes:

*   desaprumo mais acentuado na parte superior da estrutura;

*   desprendimento da parte inferior da estrutura com lesões em forma de trincas;

*   desprendimento nas uniões da estrutura que gira e a sua base;

*   aparecimento de fissuras pela estrutura.

A ação mecânica numa alvenaria antiga é dificultada pela sua heterogeneidade, em relação a diversas formas de construção (materiais, técnicas construtivas, tipo de seção, etc), gerando diferenciados tipos de degradações e patologias. Devido à grande diversidade dessas estruturas, é necessário estabelecer critérios objetivos de diferenciação e caracterização, permitindo identificar grupos mais ou menos homogêneos, em termos de características geométrico-morfológicas (tipo de seção, número de parâmetros e sua espessura, técnicas e disposições construtivas, etc) e propriedades mecânicas associadas, permitindo assim uma melhor definição das lesões e de suas patologias (ROQUE, 2002, p. 30). As fissuras, abertas em virtude da rotação das alvenarias de pedra com a ação da água, têm evoluído em algumas paredes da capela, como, por exemplo, no frontispício, parede lateral direita da nave e paredes internas.

 

Foto 15 – Trinca no frontispício da capela

Foto 16 – Trinca na parede interna da nave da capela

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

6.4 Ações humanas

        

A ação antropogênica nos patrimônios brasileiros está relacionada à falta de conservação preventiva, uso indevido do local, intervenções inadequadas e, principalmente, ao vandalismo. A Capela de São Joaquim da Grama, por não possuir uma área fechada ou delimitada, em função de diversas pessoas com livre acesso, fica sem controle com relação ao fator antropogênico, o que contribui em grande parte para a sua degradação. O vandalismo é evidente em toda a edificação através de áreas queimadas (Foto 17) e, principalmente, de pichações (Foto 18).

 

Foto 17 – Portal da sacristia queimado

Foto 18 – Vandalismo no frontispício da capela

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

Em alguns locais da capela, em intervenções anteriores, foi utilizado material incompatível com o existente, como, por exemplo, argamassa de cimento para refazer algumas partes da alvenaria (Foto 19) e para fechar trincas (Foto 20), o que pode causar problemas futuros para a estrutura.

 

Foto 19 – Partes da alvenaria refeita com argamassa de cimento

Foto 20 – Fechamento de trincas com argamassa de cimento

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

7 Projeto de consolidação da capela

 

A ação do intemperismo (chuva, sol, etc) e, principalmente, as ações do homem, são os fatores que ao longo do tempo vêm degradando as estruturas da Capela de São Joaquim da Grama. Atualmente, na capela existem todas as paredes, telhados do altar-mor e sacristias, partes do telhado da nave e cúpulas das torres. Para não degradar mais o que ainda resta dessa capela será necessário desenvolver vários serviços, garantindo estabilidade, durabilidade e utilidade desse monumento.

O trabalho de consolidação será o de impedir que a degradação crescente continue, preservando as estruturas e os materiais autênticos que compõe tal capela.

O projeto está baseado nas etapas descritas a seguir.

 

7.1 Delimitação da área da capela

        

Em virtude dos fatores de degradação já citados, há a necessidade de delimitar e cercar toda a área da capela, incluindo a escadaria na parte da frente e os remanescentes do cemitério na lateral direita da capela, construindo apenas uma entrada com a função de controlar o acesso de pessoas, uma forma de proteção do patrimônio edificado.

 

7.2 Levantamento do estado de conservação

 

Através de visitas ao local, foi elaborado um levantamento do estado de conservação dos materiais e estruturas da capela.

Ao longo do tempo, o local foi abandonado e sofreu ação do vandalismo e roubo de peças (pedras, madeiras, etc), ajudando na perda de muitas estruturas. Entretanto, algumas ainda continuam perfeitas, como paredes e torres. As estruturas sofreram uma vistoria, a fim de definir suas patologias e indicar uma intervenção adequada.

Em alguns trechos, a capela apresenta grandes trincas em suas paredes, deformações e acomodações, perda de argamassa e vegetação. Além desses problemas, há muitas chuvas no local, ajudando ao carreamento da argamassa e ao aumento da umidade, com crescimento excessivo da vegetação. A presença de microflora (algas e fungos) ajuda no crescimento das gramíneas e dos arbustos, podendo causar desagregação nos materiais. Em muitos locais há presença de vegetação de grande porte, que pode causar uma ação desastrosa, como trincas, arruinando as estruturas que ainda resistem na Capela de São Joaquim da Grama, problemas esses descritos no item situação atual (5).

 

7.3 Projeto de limpeza

 

Como já foi dito, o local da capela está repleto de vegetação de diversos portes, sendo necessário uma intervenção rápida e eficaz.

Por se constituir em um patrimônio histórico, a limpeza da área da capela deverá ser realizada de forma orientada, de maneira a se aproveitar ao máximo as estruturas ainda existentes. Será necessário fazer uma orientação prévia da mão de obra utilizada, no sentido da conscientização da importância histórica e arquitetônica da capela, a preservação do material existente, o valor dos objetos que porventura forem encontrados e a limpeza cuidadosa visando a manutenção do que ainda existe.

As vegetações daninhas fixadas nas estruturas deverão ser retiradas manualmente, com critério e cuidado, evitando maiores lesões e danos além dos já ocorridos. Além disso, será feito um estudo para pulverizar parte da área com herbicida apropriado, impedindo o crescimento dessa vegetação daninha (Foto 21).

Além de toda a área interna e externa adjacente à capela, a limpeza deverá ser feita em toda a escadaria de acesso e nas partes remanescentes do cemitério do local.

Foto 21 – Vegetação por toda a área da capela

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

7.4 Consolidação das estruturas – medidas urgentes

        

Após o levantamento do estado de conservação da ruína e detecção das lesões e patologias, a próxima etapa será de consolidar tal estrutura, seja em caráter imediato, para evitar o agravamento, seja com escoramento provisório, evitando a perda do que ainda resta da capela. A progressiva deterioração do patrimônio deve ser interrompida, procurando estabilizar sua degradação física, com as estruturas e materiais autênticos, visando à proteção dos materiais contra o intemperismo e oferecendo maior estabilidade à edificação.

Na Capela de São Joaquim da Grama existem dois tipos de alvenaria: de adobe e de pedra. A alvenaria de pedra argamassada com barro predomina em toda capela. Em alguns locais existem verdadeiras fendas, causando os desaprumos das paredes, seja pela ação da vegetação, seja pela própria absorção das águas de chuva que auxilia o carreamento de argamassa.

Este trabalho sugere as seguintes intervenções, descritas a seguir, como etapa preliminar:

*   fechamento dos vãos, permanecendo apenas uma entrada com porta;

*   escoramento das paredes laterais da nave, por dentro e por fora;

*   escoramento da torres e frontispício;

*   escoramento de todos os arcos.

 

7.4.1 Escoramento e fechamento das aberturas

        

O escoramento de aberturas é feito quando se pretende impedir a deformabilidade da parede frente aos seus componentes, como, por exemplo, portas, janelas, óculo, etc. Para evitar tais deformações, esmagamentos e flambagem de trechos da alvenaria e da ruptura de elementos estruturais, foi escolhido o escoramento dos vãos através do fechamento provisório de portas, janelas e outros vãos, com a inserção de alvenaria de tijolos maciços, proporcionando mais rigidez ao conjunto. Deste modo a estrutura se tornará mais estável e também proporcionará maior segurança nos trabalhos desenvolvidos no local. O único vão que ficará aberto será a porta da lateral direita da sacristia, sendo necessário colocar uma porta para controlar a entrada ao interior da capela. Conforme a Tabela 1, será necessário fechar uma área de aproximadamente 60m2.

Tabela 1 – Áreas de vãos para fechamento com tijolos maciços

Especificação do Local

Área Unitária

(m2)

Quantidade

Área

 (m2)

Porta principal

7,80

1

7,80

Porta superior

5,40

1

5,40

Óculos

0,50

8

4,00

Portas da Nave

4,00

2

8,00

Janelas da Sacristia

1,80

2

3,60

Passagens das torres para a nave

3,80

2

7,60

Óculos da fachada principal

0,80

3

2,40

Sineiras

1,80

8

14,40

Área total

53,20

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

A seguir a Figura 7 mostra alguns dos vãos que serão fechados.

 

Figura 7 – Fechamento de vãos

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

7.4.2 Escoramento das paredes e torres

        

O projeto de escoramento foi feito com madeiras de eucaliptos de diâmetro 16 cm. As ligações deverão ser feitas com pregos. O consumo de madeiras para as torres é de aproximadamente 30 m3 e para as paredes laterais da nave é de aproximadamente 50 m3. Os detalhamentos da fundação e dos elementos de ligação estão descritos no projeto A Figura 8 mostra de forma simplificada o escoramento que foi projetado para as paredes laterais.

Figura 8 – Escoramento das paredes laterais da capela

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

A Figura 9 mostra de forma simplificada o escoramento que foi projetado para as torres sineiras e frontispício.

Figura 9 – Escoramento das torres

Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF

 

7.5 Trabalhos futuros

 

Em uma segunda etapa serão desenvolvidos os seguintes tarefas:

*   delimitação da área de toda a propriedade;

*   pesquisa junto a moradores para obter relatos e fotografias;

*   vistoria do telhado e topo de todas as paredes e torres;

*   prospecção do solo para determinação de resistência;

*   coleta da argamassa de vários locais para reconstituição do traço;

*   remoção da argamassa de cimento;

*   consolidação de todas as trincas;

*   substituição de peças e remontagem do telhado;

*   recomposição do forro;

*   adornos e reconstituição das pinturas ornamentais;

*   recomposição da argamassa;

*   recuperação da escada de ferro de uma das torres;

*   recuperação e/ou confecção das portas e janelas;

*   colocação de novo assoalho;

*   reconstituição dos ladrilhos hidráulicos;

*   impermeabilização da fundação, telhados e adjacência;

*   pintura de portas, janelas e paredes.

8 O uso da computação gráfica

 

Como forma de estudar e manter um registro da morfologia, foi feito um estudo utilizando-se, um programa compatível com a plataforma CAD, denominado Sketchup 3D, desenvolvido por @Last Software, Inc. Tal programa permitiu fazer um registro tridimensional da capela. Tal registro serve tanto como forma de preservar a morfologia da capela, auxiliando desta forma profissionais que possam, futuramente, vir a intervir na capela, quanto para ajudar na captação de recursos para a restauração da mesma. Como se sabe, a falta de recursos é problema crucial na restauração do patrimônio edificado no Brasil.

O trabalho foi desenvolvido a partir do levantamento arquitetônico, que se encontrava no AutoCAD2000. Partiu-se da planta baixa, para posteriormente executar-se as elevações. Com o modelo pronto, pode-se determinar qualquer ponto de vista, sendo possível, inclusive, a realização de animações. O modelo 3D permite a visualização dinâmica do conjunto, através de vistas aéreas e de percursos de animação nas fachadas principais da capela. Na geração do modelo, seguiu-se os princípios da composição arquitetônica para decompor as partes, a serem modeladas, definindo os elementos arquitetônicos e de composição. Os resultados podem ser vistos nas figuras abaixo.

 

Fachada frontal

Fachada Lateral

 

Perspectiva

Vista superior

 

 

Perspectiva

Perspectiva

 

9 Conclusões

 

Face ao exposto, a proposta de consolidação e valorização da Capela de São Joaquim da Grama visa a melhorar a integridade estrutural e corrigir degradações localizadas das alvenarias, além de ser uma proposta de preservar um patrimônio histórico e cultural. Entre as possíveis soluções, escolheu-se a que melhor parece cumprir os requisitos de economia e facilidade de execução.

O uso de ferramentas computacionais gráficas para o auxílio de profissionais de arquitetura está ganhando espaço e credibilidade à medida que seu potencial é conhecido. Particularmente a área de patrimônio é beneficiada através de um simples processo de armazenagem de dados como desenhos antigos digitalizados, que muitas vezes se perdem com o tempo. Além disso, a visualização de segmentos importantes da edificação histórica em estudo permite seu conhecimento por todos os envolvidos nos grupos de restauração, arquitetos, engenheiros e muito mais. O conhecimento prévio de patrimônio também ajuda aqueles que não podem se locomover até o local. A computação gráfica promove a divulgação do patrimônio e a conscientização pela preservação.

A preservação da capela, apesar da escassez de recursos, é necessária, devido à construção ser uma das mais importantes capelas rurais do século XIX no estado do Rio de Janeiro, testemunho do poder “imperial” e dos plantadores de café da região. Além disso, a capela é um monumento de reconhecido valor histórico, artístico e arquitetônico, o que provoca o interesse da população local e da Prefeitura Municipal de Rio Claro/RJ em resgatar esse patrimônio edificado, tombado desde 1990 pelo Estado.

As medidas urgentes, descritas anteriormente, são necessárias para evitar problemas mais sérios como a perda sucessiva de estruturas até o seu arruinamento total. Evitando essas perdas na capela, assim que possível, os trabalhos futuros serão de grande importância para a preservação desse patrimônio histórico, artístico e arquitetônico.