1 Introdução
As pesquisas realizadas pelo Grupo Casarões na região de Rio
Claro/RJ, mais precisamente na Fazenda da Grama, se intensificaram em torno da
Capela de São Joaquim da Grama. Em um primeiro momento levantamos a situação da
capela que faz parte do complexo da fazenda e do patrimônio histórico de Rio
Claro/RJ. Posteriormente, Idealizamos o projeto de consolidação que está em
fase de execução junto à Prefeitura de Rio Claro/RJ. Por fim, a Prefeitura,
confinante aos órgãos de fomento, busca verba para a execução da restauração.
Para tanto se espera que a elaboração da consolidação e da maquete eletrônica
sirvam de subsídios para a captação de recurso.
.2 Localização
A Capela de São Joaquim da Grama localiza-se no município de
Rio Claro (Figura 1), no Estado do Rio de Janeiro, na região do médio
Paraíba e na microrregião do Vale do Paraíba Fluminense (Figura 2). A capela está localizada a 10 km do centro de Rio Claro-RJ, na encosta de um vale,
vertente do Rio Piraí, sobre uma elevação de terreno, antes de se chegar na
Fazenda de São Joaquim da Grama, em Passa Três, 4º Distrito de Rio Claro/RJ.
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Figura 1 – Localização do município
de Rio Claro-RJ
Fonte:
Governo do Estado do Rio de Janeiro e IBGE – modificado

Figura 2 – Localização da Fazenda de
São Joaquim da Grama
Fonte:
Governo do Estado do Rio de Janeiro
3 Histórico
A Capela de São Joaquim da Grama fazia parte da sede da
Fazenda da Grama, onde em épocas passadas funcionou o quartel general de
Joaquim José de Souza Breves, o “rei do café” (Figura 3). A fazenda era a sede da administração de suas
outras fazendas, sendo situada à margem esquerda do Rio Araras, por todo o vale
de Ribeirão das Lajes até São João Marcos, hoje 3º Distrito de Rio Claro/RJ. O casario
da sede, após a queda da economia cafeeira, tornou-se hotel, onde funcionou um
dos cassinos mais famosos do Brasil.

Figura 3 - Comendador Joaquim José de
Souza Breves
Fonte: "http://www.brasil.terravista.pt/magoito/2038" - Último acesso em 15-03-2004
Veja em www.brevescafe.oi.com.br do mesmo autor.
A capela foi construída em 1809 (Foto 1), aproximadamente a 1 km da sede da fazenda, pelo
comendador Joaquim José de Souza Breves, com a finalidade de receber seus
restos mortais. O comendador foi a maior influência política do Sul da
Província do Rio de Janeiro, nas épocas do primeiro e do segundo reinado, tendo
morrido em 30 de setembro de 1889. A Capela de São Joaquim da Grama pertence ao
século XIX, predominando, na arquitetura do Rio de Janeiro da segunda década
até o terceiro quartel do século XIX, o estilo imperial. Refletiu, nessa
capela, uma tendência comum a todo o ocidente em fins do século XVIII e
princípio do século XIX, de retorno às formas de antiguidade clássica
greco-romana, que surgiu na mesma época que D. João e a família Real,
acompanhados de sua comitiva e serviçais, chegou ao Brasil. A capela é um
exemplo de arquitetura religiosa neoclássica, onde destaca-se a presença do
frontão triangular na fachada e a simetria em suas torres, dada a repetição de
um e outro lado do eixo de composição. Há a presença de afrescos e de adornos
dourados (Foto 2), um pouco de remanescente do estilo barroco (Foto 3). Seu frontispício era constituído de uma sacada
sobre o pórtico, ambos em forma de arcos.

Foto 1 – Vista da Capela de São Joaquim da Grama, foto de
1911
Fonte: "http://www.brasil.terravista.pt/magoito/2038" - Último acesso em 15-03-2004.
Veja em www.brevescafe.oi.com.br do mesmo autor.
Seu conjunto arquitetônico encontra-se em estado de
abandono, que resultou na degradação de todo o seu acervo artístico. Em estilo
neoclássico, foi tombada pelo Estado do Rio de Janeiro, e está na mira do poder
público municipal atual, que luta por sua restauração. Consta que o Comendador
Breves só fez seu testamento para garantir a perpetuidade do culto, como foi
colocado nesse testamento: “em intenção a minha alma, dos membros de minha
família, escravos, libertos e amigos que forem depositados na dita igreja e
sepultados no cemitério da mesma”.
A Capela de São Joaquim da Grama apresenta uma
monumentalidade pelas proporções de seus planos verticais e pela sua
implantação no alto de uma colina, numa topografia acidentada marcada por
vários morros. Apresenta simetria definida pela planta em forma de cruz latina
com proporções neoclássicas (Figura 4). Sua volumetria é definida por quatro corpos distintos:
o mais alto à frente composto pelas
torres, átrio e coro (Figura 5);
nave central;
capela-mor, ligeiramente mais baixo;
sacristias laterais (Figura 6), mais baixas e encimadas por balaustradas externas.

Figura 4 – Planta em forma de cruz
Fonte:
Acervo Grupo Casarões – UFF
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Figura 5 – Detalhe da frente da
capela |
Figura 6 – Sacristias laterais mais
baixas |
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Fonte:
Prefeitura Municipal de Rio Claro-RJ |
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Atualmente, a Capela de São Joaquim da Grama encontra-se em
avançado estado crescente de deterioração física e social mas ainda serve como ponto
de encontro entre os moradores e os visitantes da fazenda.
Após três quilômetros da entrada da Fazenda da Grama,
avista-se a capela no alto do morro (Foto 4).

Foto 4 – Vista da
Capela de São Joaquim.
Fonte:
Acervo Grupo Casarões – UFF
Além do livre acesso à capela, encontra-se uma grande
presença da vegetação, principalmente na área externa, crescendo de uma forma
descontrolada (Foto 5). A presença de microflora (algas e fungos) ajuda no
crescimento das gramíneas e dos arbustos (Foto 6), podendo causar desagregação nos materiais. Em
muitos locais há presença de vegetação de grande porte, que pode causar uma
ação desastrosa, arruinando as estruturas da capela.
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Foto 5 – Vegetação crescendo de
forma descontrolada |
Foto 6 – Crescimento de gramíneas
e arbustos |
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Fonte:
Acervo Grupo Casarões – UFF |
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A Capela de São Joaquim da Grama é tombada pelo INEPAC, um
bem adquirido desde 1991, juntamente com a ruína de São João Marcos e a Ponte
Bela, por iniciativa da Prefeitura Municipal de Rio Claro/RJ através da
Secretária de Cultura, Elvira Brum, na época vice-prefeita de Rio Claro/RJ.
Atualmente, esses monumentos históricos estão em processo de tombamento pelo
IPHAN.
A capela é um importante patrimônio arquitetônico, histórico
e cultural do Estado do Rio de Janeiro, e enfrenta uma situação bastante
caótica. O local, num todo, sofre o descaso para com o seu potencial,
abrangendo seu patrimônio edificado, represa e meio ambiente. A falta de
controle e a precariedade da infra-estrutura local deixam o quadro ainda mais
negativo. No entanto o local apresenta um grande potencial para o seu
desenvolvimento. Desta forma, a situação atual inclui os seguintes problemas:
abandono e degradação de importante
conjunto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional;
descaso com a história e a arquitetura
locais;
ineficiência da atual infra-estrutura
da capela;
descaso para com o potencial turístico
e paisagístico da região;
falta de segurança para moradores e
visitantes.
Embora a capela esteja em estado precário de conservação,
ainda apresenta todas as paredes até o topo (Foto 7) e partes do telhado (Foto 8), que foi há pouco tempo refeito no altar-mor e nas
sacristias. As estruturas estão com regiões bastante agredidas e danificadas,
com vários tipos de patologias.
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Foto 7 – Vista da capela com suas
paredes ainda intactas |
Foto 8 – Telhado do altar-mor |
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Fonte:
Acervo Grupo Casarões – UFF |
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Os fatores de degradação da Capela de São Joaquim da Grama
são originados pelas seguintes ações:
agentes do meio ambiente,
principalmente ações físicas e biológicas;
presença de umidade nas estruturas;
ações mecânicas, recalques;
ação humana, vandalismo.
Os principais agentes ambientais atuantes na capela são:
físicos: principalmente através da variação
de temperatura, ação da chuva, ação eólica e insolação, provocando a erosão da
argamassa das alvenarias;
biológica: devido ao alto grau de
umidade na região;
química: em algumas regiões foram
encontradas manchas de eflorescência;
Há ainda o caso de um incêndio que ocorreu no altar-mor no
ano de 2002. A destruição do altar foi total. Até o momento não encontramos
registro que permita recuperar o altar.
Nas alvenarias de pedra em alguns pontos,
encontra-se um avançado processo de erosão da argamassa (Foto 9), em virtude da ação da água que, em dias muito
chuvosos, lava a argamassa. Em seguida, a forte insolação resseca e esfarela a
mesma. Nessas erosões, a área fragilizada fica mais susceptível à ação de agentes
agressivos.

Foto 9 – Degradação da argamassa
Fonte:
Acervo Grupo Casarões – UFF
A atuação química como agente de degradação da Capela de São
Joaquim da Grama é bastante evidente (Foto 10), devido às reações químicas causadas por ácidos
corrosivos produzidos pelas plantas, animais e seres humanos. O filme biológico
se encontra em diversas áreas (Foto 11), devido à ação da umidade, à temperatura e à
presença de elementos orgânicos nos elementos da construção.
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Foto 10 – Filme biológico na parte
interna da capela |
Foto 11 – Filme biológico na parte
da torre da capela |
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Fonte:
Acervo Grupo Casarões – UFF |
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A ação biológica ocorre também sob a forma de vegetação que
cobre toda a área externa da capela, dificultando qualquer tipo de trabalho,
medições ou vistorias no local. Com a umidade local, o crescimento de pequenos arbustos
nas estruturas da capela é inevitável (Foto 12). As raízes das plantas fixadas nas estruturas, ao
crescerem, arrancam partes de revestimentos e aumentam as rachaduras,
facilitando a penetração e a concentração de umidade (Foto 13). A vegetação na região cresce muito rapidamente,
necessitando de uma intervenção para limpeza e uma manutenção periódica para
sanar este problema.
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Foto 12 – Vegetação na parte
interna da capela |
Foto 13 – Vegetação na torre da
capela |
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Fonte:
Acervo Grupo Casarões – UFF |
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A umidade é um agente físico muito agressivo às construções,
ajudando em grande parte à degradação do patrimônio. A sua ação dissolvente compromete
a durabilidade e a função dos componentes em uma estrutura. A umidade pode
ocorrer através do subsolo ou do ar.
Pelo subsolo, a ação da água tem origem relacionada com o
lençol freático, que se desloca, por capilaridade, pelas fundações, e atinge a
base das alvenarias. A capela está localizada em uma região bastante úmida e
com altos índices pluviométricos. Essa ação da água pelo ar, principalmente a
chuva, em contato com as alvenarias da capela, é um dos principais fatores de
degradação externo ao corpo estrutural (Foto 14). A ação da chuva é responsável por grande parte da
deterioração, seja no topo, por infiltração, ou chuvas incidentes influenciadas
pelo vento, podendo penetrar nessas alvenarias, se estiverem aparentes,
danificando e causando a lavagem das argamassas.

Foto 14 – Paredes bastantes úmidas pela ação da chuva
Fonte:
Acervo Grupo Casarões – UFF
Devido a outras causas já descritas, como a atuação marcante
da água na área da capela, o recalque do terreno leva ao recalque das fundações
e das alvenarias, causando um movimento de rotação. As causas determinantes da
rotação de uma estrutura podem ser um empuxo lateral ou um cedimento do plano
de assentamento dessa estrutura. Os sintomas característicos da rotação são os
seguintes:
desaprumo mais acentuado na parte
superior da estrutura;
desprendimento da parte inferior da
estrutura com lesões em forma de trincas;
desprendimento nas uniões da estrutura
que gira e a sua base;
aparecimento de fissuras pela
estrutura.
A ação mecânica numa alvenaria antiga é dificultada pela sua
heterogeneidade, em relação a diversas formas de construção (materiais, técnicas
construtivas, tipo de seção, etc), gerando diferenciados tipos de degradações e
patologias. Devido à grande diversidade dessas estruturas, é necessário
estabelecer critérios objetivos de diferenciação e caracterização, permitindo
identificar grupos mais ou menos homogêneos, em termos de características
geométrico-morfológicas (tipo de seção, número de parâmetros e sua espessura,
técnicas e disposições construtivas, etc) e propriedades mecânicas associadas,
permitindo assim uma melhor definição das lesões e de suas patologias (ROQUE,
2002, p. 30). As fissuras, abertas em virtude da rotação das alvenarias de
pedra com a ação da água, têm evoluído em algumas paredes da capela, como, por
exemplo, no frontispício, parede lateral direita da nave e paredes internas.
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Foto 15
– Trinca no frontispício da capela |
Foto 16
– Trinca na parede interna da nave da capela |
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Fonte: Acervo Grupo Casarões – UFF |
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A ação antropogênica nos patrimônios brasileiros está
relacionada à falta de conservação preventiva, uso indevido do local,
intervenções inadequadas e, principalmente, ao vandalismo. A Capela de São
Joaquim da Grama, por não possuir uma área fechada ou delimitada, em função de
diversas pessoas com livre acesso, fica sem controle com relação ao fator
antropogênico, o que contribui em grande parte para a sua degradação. O
vandalismo é evidente em toda a edificação através de áreas queimadas (Foto 17) e, principalmente, de pichações (Foto 18).
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Foto 17 – Portal da sacristia
queimado |
Foto 18 – Vandalismo no frontispício
da capela |
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Fonte:
Acervo Grupo Casarões – UFF |
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Em alguns locais da capela, em intervenções anteriores, foi
utilizado material incompatível com o existente, como, por exemplo, argamassa
de cimento para refazer algumas partes da alvenaria (Foto 19) e para fechar trincas (Foto 20), o que pode causar problemas futuros para a
estrutura.
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Foto 19 – Partes da alvenaria
refeita com argamassa de cimento |
Foto 20 – Fechamento de trincas
com argamassa de cimento |
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Fonte:
Acervo Grupo Casarões – UFF |
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A ação do intemperismo (chuva, sol, etc) e, principalmente,
as ações do homem, são os fatores que ao longo do tempo vêm degradando as estruturas
da Capela de São Joaquim da Grama. Atualmente, na capela existem todas as
paredes, telhados do altar-mor e sacristias, partes do telhado da nave e
cúpulas das torres. Para não degradar mais o que ainda resta dessa capela será
necessário desenvolver vários serviços, garantindo estabilidade, durabilidade e
utilidade desse monumento.
O trabalho de consolidação será o de impedir que a
degradação crescente continue, preservando as estruturas e os materiais
autênticos que compõe tal capela.
O projeto está baseado nas etapas descritas a seguir.
Em virtude dos fatores de degradação já citados, há a
necessidade de delimitar e cercar toda a área da capela, incluindo a escadaria
na parte da frente e os remanescentes do cemitério na lateral direita da
capela, construindo apenas uma entrada com a função de controlar o acesso de
pessoas, uma forma de proteção do patrimônio edificado.
Através de visitas ao local, foi elaborado um levantamento
do estado de conservação dos materiais e estruturas da capela.
Ao longo do tempo, o local foi abandonado e sofreu ação do
vandalismo e roubo de peças (pedras, madeiras, etc), ajudando na perda de
muitas estruturas. Entretanto, algumas ainda continuam perfeitas, como paredes
e torres. As estruturas sofreram uma vistoria, a fim de definir suas patologias
e indicar uma intervenção adequada.
Em alguns trechos, a capela apresenta grandes trincas em
suas paredes, deformações e acomodações, perda de argamassa e vegetação. Além
desses problemas, há muitas chuvas no local,
ajudando ao carreamento da argamassa e ao aumento da umidade, com crescimento
excessivo da vegetação. A presença de microflora (algas e fungos) ajuda no
crescimento das gramíneas e dos arbustos, podendo causar desagregação nos
materiais. Em muitos locais há presença de vegetação de grande porte, que pode
causar uma ação desastrosa, como trincas, arruinando as estruturas que ainda
resistem na Capela de São Joaquim da Grama, problemas esses descritos no item
situação atual (5).
Como já foi dito, o local da capela está repleto de
vegetação de diversos portes, sendo necessário uma intervenção rápida e eficaz.
Por se constituir em um patrimônio histórico, a limpeza da área
da capela deverá ser realizada de forma orientada, de maneira a se aproveitar
ao máximo as estruturas ainda existentes. Será necessário fazer uma orientação
prévia da mão de obra utilizada, no sentido da conscientização da importância
histórica e arquitetônica da capela, a preservação do material existente, o
valor dos objetos que porventura forem encontrados e a limpeza cuidadosa
visando a manutenção do que ainda existe.
As vegetações daninhas fixadas nas estruturas deverão ser
retiradas manualmente, com critério e cuidado, evitando maiores lesões e danos
além dos já ocorridos. Além disso, será feito um estudo para pulverizar parte
da área com herbicida apropriado, impedindo o crescimento dessa vegetação
daninha (Foto 21).
Além de toda a área interna e externa adjacente à capela, a
limpeza deverá ser feita em toda a escadaria de acesso e nas partes
remanescentes do cemitério do local.

Foto 21 – Vegetação por toda a área da capela
Fonte: Acervo
Grupo Casarões – UFF
Após o levantamento do estado de conservação da ruína e
detecção das lesões e patologias, a próxima etapa será de consolidar tal
estrutura, seja em caráter imediato, para evitar o agravamento, seja com
escoramento provisório, evitando a perda do que ainda resta da capela. A
progressiva deterioração do patrimônio deve ser interrompida, procurando
estabilizar sua degradação física, com as estruturas e materiais autênticos,
visando à proteção dos materiais contra o intemperismo e oferecendo maior
estabilidade à edificação.
Na Capela de São Joaquim da Grama existem dois tipos de
alvenaria: de adobe e de pedra. A alvenaria de pedra argamassada com barro
predomina em toda capela. Em alguns locais existem verdadeiras fendas, causando
os desaprumos das paredes, seja pela ação da vegetação, seja pela própria
absorção das águas de chuva que auxilia o carreamento de argamassa.
Este trabalho sugere as seguintes intervenções, descritas a
seguir, como etapa preliminar:
fechamento dos vãos, permanecendo
apenas uma entrada com porta;
escoramento das paredes laterais da
nave, por dentro e por fora;
escoramento da torres e frontispício;
escoramento de todos os arcos.
O escoramento de aberturas é feito quando se pretende
impedir a deformabilidade da parede frente aos seus componentes, como, por
exemplo, portas, janelas, óculo, etc. Para evitar tais deformações,
esmagamentos e flambagem de trechos da alvenaria e da ruptura de elementos
estruturais, foi escolhido o escoramento dos vãos através do fechamento
provisório de portas, janelas e outros vãos, com a inserção de alvenaria de
tijolos maciços, proporcionando mais rigidez ao conjunto. Deste modo a
estrutura se tornará mais estável e também proporcionará maior segurança nos
trabalhos desenvolvidos no local. O único vão que ficará aberto será a porta da
lateral direita da sacristia, sendo necessário colocar uma porta para controlar
a entrada ao interior da capela. Conforme a Tabela 1, será necessário fechar uma área de aproximadamente
60m2.
Tabela 1 – Áreas de vãos para
fechamento com tijolos maciços
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Especificação do Local |
Área Unitária (m2) |
Quantidade |
Área (m2) |
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Porta principal |
7,80 |
1 |
7,80 |
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Porta superior |
5,40 |
1 |
5,40 |
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Óculos |
0,50 |
8 |
4,00 |
|
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Portas da Nave |
4,00 |
2 |
8,00 |
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|
Janelas da Sacristia |
1,80 |
2 |
3,60 |
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|
Passagens das torres para a nave |
3,80 |
2 |
7,60 |
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|
Óculos da fachada principal |
0,80 |
3 |
2,40 |
|
|
Sineiras |
1,80 |
8 |
14,40 |
|
|
Área total |
53,20 |
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Fonte:
Acervo Grupo Casarões – UFF
A seguir a Figura 7 mostra alguns dos vãos que serão fechados.

Figura 7 – Fechamento de vãos
Fonte:
Acervo Grupo Casarões – UFF
O projeto de escoramento foi feito com madeiras de eucaliptos
de diâmetro 16 cm. As ligações deverão ser feitas com pregos. O consumo de
madeiras para as torres é de aproximadamente 30 m3 e para as paredes
laterais da nave é de aproximadamente 50 m3. Os detalhamentos da
fundação e dos elementos de ligação estão descritos no projeto A Figura 8 mostra de forma simplificada o escoramento que foi
projetado para as paredes laterais.

Figura 8 – Escoramento das paredes
laterais da capela
Fonte: Acervo Grupo Casarões
– UFF
A Figura 9 mostra de forma simplificada o escoramento que foi
projetado para as torres sineiras e frontispício.

Figura 9 – Escoramento das torres
Fonte: Acervo Grupo Casarões
– UFF
Em uma segunda etapa serão desenvolvidos os
seguintes tarefas:
delimitação da área de toda a
propriedade;
pesquisa junto a moradores para obter
relatos e fotografias;
vistoria do telhado e topo de todas as
paredes e torres;
prospecção do solo para determinação
de resistência;
coleta da argamassa de vários locais
para reconstituição do traço;
remoção da argamassa de cimento;
consolidação de todas as trincas;
substituição de peças e remontagem do
telhado;
recomposição do forro;
adornos e reconstituição das pinturas
ornamentais;
recomposição da argamassa;
recuperação da escada de ferro de uma
das torres;
recuperação e/ou confecção das portas
e janelas;
colocação de novo assoalho;
reconstituição dos ladrilhos
hidráulicos;
impermeabilização da fundação,
telhados e adjacência;
pintura de portas, janelas e paredes.
Como forma de estudar e manter um registro da morfologia,
foi feito um estudo utilizando-se, um programa compatível com a plataforma CAD,
denominado Sketchup 3D, desenvolvido por @Last Software, Inc. Tal programa
permitiu fazer um registro tridimensional da capela. Tal registro serve tanto
como forma de preservar a morfologia da capela, auxiliando desta forma
profissionais que possam, futuramente, vir a intervir na capela, quanto para
ajudar na captação de recursos para a restauração da mesma. Como se sabe, a
falta de recursos é problema crucial na restauração do patrimônio edificado no
Brasil.
O trabalho foi desenvolvido a partir do levantamento
arquitetônico, que se encontrava no AutoCAD2000. Partiu-se da planta baixa,
para posteriormente executar-se as elevações. Com o modelo pronto, pode-se
determinar qualquer ponto de vista, sendo possível, inclusive, a realização de
animações. O modelo 3D permite a visualização dinâmica do conjunto, através de
vistas aéreas e de percursos de animação nas fachadas principais da capela. Na
geração do modelo, seguiu-se os princípios da composição arquitetônica para
decompor as partes, a serem modeladas, definindo os elementos arquitetônicos e
de composição. Os resultados podem ser vistos nas figuras abaixo.
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Fachada frontal |
Fachada Lateral |
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Perspectiva |
Vista superior |
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Perspectiva |
Perspectiva |
Face ao exposto, a proposta de consolidação e valorização da
Capela de São Joaquim da Grama visa a melhorar a integridade estrutural e
corrigir degradações localizadas das alvenarias, além de ser uma proposta de
preservar um patrimônio histórico e cultural. Entre as possíveis soluções,
escolheu-se a que melhor parece cumprir os requisitos de economia e facilidade
de execução.
O uso de ferramentas computacionais gráficas para o auxílio
de profissionais de arquitetura está ganhando espaço e credibilidade à medida
que seu potencial é conhecido. Particularmente a área de patrimônio é
beneficiada através de um simples processo de armazenagem de dados como
desenhos antigos digitalizados, que muitas vezes se perdem com o tempo. Além
disso, a visualização de segmentos importantes da edificação histórica em
estudo permite seu conhecimento por todos os envolvidos nos grupos de
restauração, arquitetos, engenheiros e muito mais. O conhecimento prévio de
patrimônio também ajuda aqueles que não podem se locomover até o local. A
computação gráfica promove a divulgação do patrimônio e a conscientização pela
preservação.
A preservação da capela, apesar da escassez de recursos, é
necessária, devido à construção ser uma das mais importantes capelas rurais do
século XIX no estado do Rio de Janeiro, testemunho do poder “imperial” e dos
plantadores de café da região. Além disso, a capela é um monumento de
reconhecido valor histórico, artístico e arquitetônico, o que provoca o
interesse da população local e da Prefeitura Municipal de Rio Claro/RJ em
resgatar esse patrimônio edificado, tombado desde 1990 pelo Estado.
As medidas urgentes, descritas anteriormente, são
necessárias para evitar problemas mais sérios como a perda sucessiva de
estruturas até o seu arruinamento total. Evitando essas perdas na capela, assim
que possível, os trabalhos futuros serão de grande importância para a
preservação desse patrimônio histórico, artístico e arquitetônico.