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Muito
discutida na família o perfil dos
descendentes do Comendador Joaquim Breves.
Para alguns a coisa começa com a divisão
familiar entre “graúdos” e “miudos”. Os que
tinham dinheiro e os que não tinham.
Outra, era o parentesco e a forte
consangüinidade. O “rei do café” era genro
de sua irmã e cunhado de seu sogro, além de
ser tio de sua mulher. Entretanto, entre si,
os parentes tratavam-se de modo distante,
como se fossem desconhecidos.
Jocosos? Galhofeiros? Muitos deles foram e
são até hoje.
Por exemplo o
Comendador Joaquim Breves. Em seu
jardim da fazenda da Grama existiam dezenas
de estátuas espalhadas, representando as
estações e deuses gregos. Durante as
visitas, que eram freqüentes, um embaixador
se encantou, particularmente com uma estátua
de ébano, em frente à casa. Perguntou onde
Joaquim havia adquirido, mas quando o homem
chegou mais perto para tocá-la, Joaquim
bateu palmas e disse: "salta crioula". A
negrinha saiu do pedestal correndo, para
espanto do viajante.
Outro
comendador, o médico Chiquinho de Moraes,
gostava de apelidar seus parentes. Birí,
Boro, Burú. Biribirí, Boroboró e Buruburú.
Não satisfeito recomeçou: Pará, Peré, Pirí,
Poró e Purú.
Foi colega de Miguel Couto na faculdade e
costumava dizer barbaridades e coisas
engraçadas.
Na sua fazenda
do Salto Pequeno quando recebia a visita do
novo pároco. A discussão era feia.
São José era
carpinteiro, padre?
Sim, Dr.
Chiquinho.
Poderia ter
feitos cruzes de madeira?
É possível,
respondia o sacerdote.
Então, ele
pode ter construído a cruz de Jesus.
O padre saia
da fazenda horrorizado. Um herege!!!
exclamava. Prometia nunca mais voltar.
Quando a Light
inundou São João Marcos e os habitantes
contraíram febre, disse que era “gráipe”,
uma gripe trazida pela Light.
Na Olaria,
fazenda abandonada que pertenceu ao “rei do
café”, ao ver entrar uma porca e uma cabra
dentro do salão, não resistiu: Acaba de
chegar a Baronesa de Tal e o visconde de Tal
para uma recepção.
Figura curiosa era meu tio Padre Reynato
Breves. De fino humor, o sacerdote
costuma fabricar velas especiais. A
especialidade era colocar uma pequena bomba
dentro de cada vela.
Quando realizava uma cerimônia importante as
velas começavam estourar. Correria geral.
Algumas beatas falavam até em milagre.
Uma vez, a molecada acompanhou sua
peregrinação pelos morros de Piraí. Numa
casa pediu para usar o toallete. Depois do
café, sentados na varanda ouvimos a
gritaria: A dona da casa aos berros. Sentou
no sanitário e os estalinhos debaixo da
tampa deixados pelo padre explodiram.
Genealogista e biógrafo da família, recebeu
a visita de um rapaz que dizia: Padre
Reynato, eu sou Breves! E sacou um documento
do bolso. O padre recebeu o documento e
aproximou-o da vista para ler. Ao retirar os
olhos do papel, o rapaz havia sumido.
Disse então: "Realmente esse rapaz é Breves.
Breves e maluco", confirmou.
Na sua casa em Barra do Piraí, a sala
principal era uma profusão de relógios-cuco.
Colecionador de objetos antigos gostava de
admirá-los na parede. O inferno era nas
horas cheias: uma gritaria de cucos. Ele
dizia que nem todos tocavam na mesma hora.
Alguns eram protestantes!.
Santos de
todos os tamanhos, oratórios e muitos livros
compunham aquele ambiente. Rezava a Santa
Missa sempre na varanda de sua casa para
poucos fiéis. Água benta aos baldes, porque
segundo ele mesmo, o diabo não pedia
autorização - "sentava praça em qualquer
lugar". Casas, objetos, carros novos e até
animais, eram objeto frequente de bençãos
especiais.
Proteção de
Deus é sempre bem recebida, dizia ele.
Recitava os
"Sermões" de Pe. Antonio Vieira e se fosse
convocado para as exéquias de alguém,
acertava a programação de 40 missas. E não
podia ser interrompido. Era uma atrás da
outra.
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