História do Café no Brasil Imperial
História do café no Brasil Imperial
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IV

 


títulos
. Breves "esquisitices"
 

Autor: Aloysio C M I J Breves Beiler

junho 2004

 

 

Muito discutida na família o perfil dos descendentes do Comendador Joaquim Breves. Para alguns a coisa começa com a divisão familiar entre “graúdos” e “miudos”. Os que tinham dinheiro e os que não tinham.

Outra, era o parentesco e a forte consangüinidade. O “rei do café” era genro de sua irmã e cunhado de seu sogro, além de ser tio de sua mulher. Entretanto, entre si, os parentes tratavam-se de modo distante, como se fossem desconhecidos.

Jocosos? Galhofeiros? Muitos deles foram e são até hoje.

 

Por exemplo o Comendador Joaquim Breves. Em seu jardim da fazenda da Grama existiam dezenas de estátuas espalhadas, representando as estações e deuses gregos. Durante as visitas, que eram freqüentes, um embaixador se encantou, particularmente com uma estátua de ébano, em frente à casa. Perguntou onde Joaquim havia adquirido, mas quando o homem chegou mais perto para tocá-la, Joaquim bateu palmas e disse: "salta crioula". A negrinha saiu do pedestal correndo, para espanto do viajante.

 

Outro comendador, o médico Chiquinho de Moraes, gostava de apelidar seus parentes. Birí, Boro, Burú. Biribirí, Boroboró e Buruburú. Não satisfeito recomeçou: Pará, Peré, Pirí, Poró e Purú.
Foi colega de Miguel Couto na faculdade e costumava dizer barbaridades e coisas engraçadas.

Na sua fazenda do Salto Pequeno quando recebia a visita do novo pároco. A discussão era feia.

 

São José era carpinteiro, padre?

Sim, Dr. Chiquinho.

Poderia ter feitos cruzes de madeira?

É possível, respondia o sacerdote.

Então, ele pode ter construído a cruz de Jesus.

O padre saia da fazenda horrorizado. Um herege!!! exclamava. Prometia nunca mais voltar.

 

Quando a Light inundou São João Marcos e os habitantes contraíram febre, disse que era “gráipe”, uma gripe trazida pela Light.
 

Na Olaria, fazenda abandonada que pertenceu ao “rei do café”, ao ver entrar uma porca e uma cabra dentro do salão, não resistiu: Acaba de chegar a Baronesa de Tal e o visconde de Tal para uma recepção.

Figura curiosa era meu tio Padre Reynato Breves. De fino humor, o sacerdote costuma fabricar velas especiais. A especialidade era colocar uma pequena bomba dentro de cada vela.
Quando realizava uma cerimônia importante as velas começavam estourar. Correria geral. Algumas beatas falavam até em milagre.


Uma vez, a molecada acompanhou sua peregrinação pelos morros de Piraí. Numa casa pediu para usar o toallete. Depois do café, sentados na varanda ouvimos a gritaria: A dona da casa aos berros. Sentou no sanitário e os estalinhos debaixo da tampa deixados pelo padre explodiram.

Genealogista e biógrafo da família, recebeu a visita de um rapaz que dizia: Padre Reynato, eu sou Breves! E sacou um documento do bolso. O padre recebeu o documento e aproximou-o da vista para ler. Ao retirar os olhos do papel, o rapaz havia sumido.


Disse então: "Realmente esse rapaz é Breves. Breves e maluco", confirmou.


Na sua casa em Barra do Piraí, a sala principal era uma profusão de relógios-cuco. Colecionador de objetos antigos gostava de admirá-los na parede. O inferno era nas horas cheias: uma gritaria de cucos. Ele dizia que nem todos tocavam na mesma hora. Alguns eram protestantes!.
 

Santos de todos os tamanhos, oratórios e muitos livros compunham aquele ambiente. Rezava a Santa Missa sempre na varanda de sua casa para poucos fiéis. Água benta aos baldes, porque segundo ele mesmo, o diabo não pedia autorização - "sentava praça em qualquer lugar". Casas, objetos, carros novos e até animais, eram objeto frequente de bençãos especiais.

 

Proteção de Deus é sempre bem recebida, dizia ele.

Recitava os "Sermões" de Pe. Antonio Vieira e se fosse convocado para as exéquias de alguém, acertava a programação de 40 missas. E não podia ser interrompido. Era uma atrás da outra.
 

 

 
 

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