Francisco
de Assis Bandeira de Melo Chateaubriand,
jornalista e empresário brasileiro,
nasceu em Umbuzeiro, Paraíba, e faleceu
na cidade de São Paulo. Dono dos Diários
e Emissoras Associados, conglomerado
jornalístico que chegou a possuir mais
de uma centena de jornais, emissoras de
rádio, canais de televisão, agências de
notícias e revistas (entre elas O
Cruzeiro, periódico semanal de maior
circulação na América Latina).
Este império jornalístico propiciou-lhe
grande poder político, principalmente
entre fins da década de 1930 e início da
década de 1960. Foi senador, de 1952 a
1957, e embaixador do Brasil na
Inglaterra, de 1957 a 1960.
Chateaubriand foi ainda o responsável
pela fundação do Museu de Arte de São
Paulo (Masp).
Abriu
caminho entre os ricos e poderosos de
seu tempo com esperteza, malícia e
chantagem. Certa vez moveu em seus
jornais uma campanha impiedosa contra o
industrial Francisco Matarazzo. O
escritório de Chatô ficava num prédio do
conde, o aluguel estava atrasado e
Matarazzo fizera a besteira de cobrar o
inquilino. De José Ermírio de Moraes,
fundador do grupo Votorantim, Chatô quis
arrancar uma fortuna pela venda de um
anúncio que o empresário já tinha pago.
Contam-se às dezenas os casos de
milionários achacados para dar sua
contribuição às paredes do Museu de Arte
de São Paulo, o Masp, que jamais teria
saído do chão sem o patrocínio de Chatô.
O homem vivia em guerra. Batia com seus
jornais. Afagava quem o ajudava nos
negócios e difamava com seus artigos
quem ousava atrapalhar. Em geral, vencia
sempre pelo cansaço.
Nascido
em Umbuzeiro, na Paraíba, jornalista
desde os 15 anos de idade, Chateaubriand
construiu um império de comunicação.
Começou em 1924, quando comprou o diário
"O Jornal". No auge, os Diários
Associados reuniam 36 jornais, 18
revistas, 36 rádios e 18 emissoras de
televisão em todo o País. A revista
Cruzeiro, durante anos a mais lida do
País, foi lançada por Chatô. Foi ele
quem trouxe a televisão ao Brasil, em
1949, quando a rede Tupi foi ao ar pela
primeira vez. Chateaubriand não fazia
segredo sobre seus métodos. "Com
dinheiro, qualquer português compra",
disse certa vez. "A competência está em
comprar sem dinheiro." Não era figura de
retórica. Chatô comprava empresas e
obras de arte sem sacar o talão de
cheques. Parte de seu sucesso
empresarial se deve à proximidade com
Getúlio Vargas, com quem manteve uma
relação tumultuada mas rendosa. Anúncios
do governo e empréstimos oficiais
sustentaram por um bom tempo os Diários
Associados. Chatô teve uma vida
movimentada. Manteve casos com várias
mulheres, foi político e embaixador.
Chegou a inventar uma condecoração, a
Ordem do Jagunço, para expressar
reconhecimento aos grandes do seu tempo.
Até Winston Churchil ganhou a sua,
entregue pelo próprio Chateaubriand. Nem
mesmo a trombose que prendeu o
jornalista a uma cadeira de rodas nos
seus últimos anos de vida conseguiu
detê-lo completamente. Acostumado a
escrever a lápis, aprendeu a usar uma
máquina especial para continuar
escrevendo seus artigos. Mesmo sem falar
direito, e dependendo da tradução da
enfermeira para se comunicar, ditava
ordens e se fazia temer. Para Pietro
Maria Bardi, que construiu com ele o
Masp, a confusão teria sido enorme se
Chatô tivesse tido imitadores. Mas não
teria sido má idéia: "Uns a mais fizeram
falta." |