História do Café no Brasil Imperial
 

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Fazenda de Santo Antonio da Olaria

por Luiz Ascendino Dantas.

 Fazenda de Santo Antonio de Olaria. Cópia do palácio do Podestá de Bréscia, uma das muitas residências do Comendador Joaquim Breves. Demolida para a construção da represa de Ribeirão das Lages - Light.

São João Marcos -1927

A pouco mais de 500 metros da cidade de- São João Marcos, em terras da Sesmaria de Hilario Ramos Nogueira, à margem esquerda do Rio Araras, assenta a sede desta fazenda. Ali era estabelecido com engenho de açúcar e de café, o velho Hilario Nogueira, em cuja casa se hospedou D. Pedro I em 1822. Em 14 de agosto daquele ano, partia D. Pedro I, do Rio de Janeiro, para São Paulo "para accomodar as dissensões internas e derramar sobre os povos o bálsamo de consolação e o da tranquillidade". Pernoitou o Imperador na sua Real Fazenda de Santa Cruz.

No segundo dia de jornada, tendo atravessado a cavalo a serra de ltaguahy, chegou a São João do Principe na tarde de 15, hospedando-se na Fazenda de Santo Antonio da Olaria, onde pernoitou. No dia 16, partiu o Imperador, levando em sua companhia dois filhos do Capitão Hilario, Luiz e Cassiano Ramos Nogueira, este mais tarde graduado em Capitão-mór, juntando-se a comitiva, mais adiante em caminho do Passa-Três, o fazendeiro Joaquim José de Souza Breves, depois furriel e alferes da guarda de honra de S. M., e mais o sr. Floriano Sá Rios.

A estadia de D. Pedro em São João do Principe foi rápida, S. M. percorreu vários trechos da Vila em companhia do Capitão Hilario, tendo sido acompanhado até a fronteira de São Paulo, em Pouso Secco, por grande número de fazendeiros e representantes do Senado da Camara.

O prédio de então era de andar térreo, uma casa baixa colonial, no centro do grande terreiro; desse edificio nada mais existe, senão os vestígios de setis ,alicerces.

Ele desapareceu para dar logar ao novo palácio, quando essa fazenda passou a propriedade do Commendador Joaquim Breves.

O novo solar foi construido em 1865 sendo o projeto de sua construção, da autoria segundo era corrente, do Conde de Fé de Ostiani, genro que foi do Commendador Breves.

O palácio se compõe de dois andares, construido de pedra e cal, com madeiras escolhidas, e tiradas das mattas da propria fazenda. Contem o andar térreo 10 janellas de frente, 2 portas e I portão, que dá entrada para o pateo de pedra lavrada; 6 quartos, e sala de jantar, 3 salas menores para recepções, corredores, I sala para serviço de copa e dispensa, 6 janellas, 4 portas e portão pelo lado dos fundos, O andar superior contem 7 portas de sacada e 8 janelas de frente, com 10 janelas para os fundos; 6 janelas de lado; 10 quartos, 4 grandes salas, 2 corredores, 1 sala para capela, com 16 portas internas que dão entrada para os salões, 2 escadarias envernizadas, uma saindo do pátio de pedra, e outra da entrada pelo sagão interno, e ainda um portão para entrada geral. Grande cozinha com 2 quartos de 2 portas e S janellas, e uma dependência que servia de enfermaria e pharmacia; salão no socavão da I." escada para outros misteres. Das casarias existentes até 1910, como senzalas, armazens., depositos, paióis, casa de tropa, ferraria, carpintaria e engenhos, nada mais existe; a sua proprietaria de agora a Companhia Light and Power, demoliu aquillo tudo para aproveitar os materiaes em seus serviços.

Nos fundos da fazenda, abriu a companhia o grande tunel, por onde passam hoje as águas do rio Pirahy, para cairem no leito do Rosario, que por sua vez se despeja no rio Araras. Tem esse tunel a extensão de 8.429 metros, sendo em linha recta e aberto em rocha granitica, com 66 meíros de altura do seu nivel no logar denominado Vargem e 144 metros de altura em cavadeira. Começado a ser construido em janeiro de 1912, estava terminado em julho de 1913. O tunel foi perfurado por meio de brocas e todo' o mecanismo movido por motores electricos. Para o supprimento de energia a Companhia fez construir uma linha de transmissão da Usina de Fontes, até a entrada (o túnel com todos os aparelhos em ação consumiu-se 3ã.OOO kilowatts horas por dia, incluindo a illuminação elo tunel e dos acampamentos visinhos.

Essa fazenda conforme estatística de 1906 possue 1. 303 alqueires de terras, em mata, capoeiras e lavouras, e regada, de varios riachos que tomam no seu curso varias denominações. Havia no grande gramado em frente ao prédio, um enorme, repucho de pedra e cimento, circundado de bancos de pedras e de paus toscos - tudo desappareceu pelo descaso de seus administradores.

Do lado interno da fazenda existia uma grande praça macadamisada, que servia de terreiro para café e outros cereais, onde se fazia a selecção dos mesmos circundado também, de uma fita ou trançado de taquara. O Engenho de açúcar, deixou de funccionar, para dar lugar aos aparelhos de distilação de aguardente.

O machinismo de café, um dos maiores do municipio funccionou até 1898.

O pomar formado de espécies de qualidade, desapareceu, existindo hoje, apenas as árvores que o machado destruidor respeitou pela sua velhice, e que ainda hoje choram seus dias de grandeza magnífica, quando sob suas frondes descançavam os grandes do Império.

Histórica é pois a Fazenda de Santo Antonio de Olaria, onde muitos episódios políticos ali se resolveram no último período do Império, e no do primeiro período Republicano.

Permanece hoje a legendaria fazenda, no monótono silêncio das coisas tranquillas, e quem alli vae, tem as recordações de outr'ora e a lembrança daquele vae e vem, de forasteiros políticos que buscavam lá a sorte de seus triumphos ou suas desilusões.

 

 

 

 

     

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